terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O Raio Gourmetizador ataca as redações publicitárias!



 "(...) o luxo "estilhaçou-se", não há mais um luxo, mas luxos, em vários graus, para públicos diversos." Giles Lipovetisky

A frase de Lipovetisky, filósofo francês reconhecido na área de comunicação por seus estudos sobre o luxo, encaixa-se bem na nova onda que parece engolfar as redações publicitárias: a venda de "experiências".

O tema, foi tratado na revista " O Globo", de dezembro de 2014 sob o título " 2014, o ano da ' experiência'." Segundo a matéria o termo "experiência" passou por uma reformulação de sentido e tem sido usada para descrever um conjunto de coisas abstratas que compõe o preço de artigos de luxo. Ou seja, abrange um conjunto de sensações que você adquire ao comprar um determinado item. 
Exemplifica o artigo: quem compra uma Mont Blanc está pagando por elegância, designer, pelo sentimento de se aproximar do estilo de vida vinculado à marca.

O cerne da questão do artigo é: até que ponto o termo pode ser apropriado por bens de consumo não ligados ao luxo? O tema já virou meme nas redes sociais com o famoso chef Gordon Ramsey ( britânico, astro de um  reality show chamado "Kitchen Nightmares". Aliás,Chef Ramsey - preciso, exigente, duro, o verdadeiro pesadelo das cozinhas - acabou de ser multado pela vigilância sanitária. Ao que parece o marketing não foi capaz de espantar algumas baratas de um dos seus restaurantes.) munido de um raio capaz de tornar qualquer quitute uma verdadeira experiência para o paladar. 
E as palavras pesam. 
Pesam tanto que aparecem logo no preço.

Virou paródia. 
Mas, é preciso levar em conta que o "luxo estilhaçou-se", como bem coloca Lipovetsky em trecho de seu livro " O Luxo eterno".
Segundo ele, o aumento de marcas de luxo e o maior acesso à essas marcas ( bem como as falsificações, diga-se de passagem) mudou consideravelmente a percepção das massas. O individualismo e o consumo são celebrados e todos tem direito ao "supérfluo". 
"É uma nova cultura de luxo que cresce sob os nossos olhos." 

A publicidade acabou se apropriando e refletindo o processo. 

 Resta-nos dizer que: "experienciar", portanto, é direito de todos.

( Ah, sim: experienciar - vocábulo originário da mistura de experimentar e vivenciar. Tomei a ousadia de aumentar o leque de neologismos da publicidade brasileira.)


FONTES: 

2014, o Ano da experiência por Emiliano Urbin in Revista O Globo, dezembro de 2014
LIPOVETSKY, Giles. O Luxo Eterno - da idade do sagrado ao tempo das marcas. São paulo: Companhia das Letras,2005. ( Trecho encontrado em matéria presente no site Jornal do Commercio: A cultura do consumo e do Luxo por Gilles Lipovetsky.)







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